Em municípios com Plano Diretor que prevê outorga onerosa, é possível construir acima do coeficiente básico mediante contrapartida ao Fundurb. A ferramenta calcula a contrapartida pela fórmula de São Paulo (Lei 16.050/2014).
A fórmula vem do art. 117 da Lei nº 16.050, de 31 de julho de 2014, o Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo. Ela isola três grandezas: quanto a mais se quer construir, quanto vale o chão e dois fatores políticos que o município ajusta para induzir o tipo de cidade que pretende.
O Fator de Planejamento é o instrumento que o município usa para puxar adensamento para onde quer. Em zonas próximas a transporte estruturado e bem servidas de infraestrutura, o Fp baixa, a outorga fica mais barata, e construir verticalizado vira atrativo. Em zonas que o município quer preservar ou desadensar, o Fp sobe, e o custo de adicionar metros quadrados desestimula o projeto.
O Fator Social opera na outra ponta. Reduz o custo da outorga para usos que o município quer ver mais: Habitação de Interesse Social (HIS), Habitação de Mercado Popular (HMP), equipamentos públicos. Empreendimentos comerciais de alto padrão tendem ao topo da escala. Cada município que adota a outorga onerosa adapta os dois fatores na sua própria lei.
O art. 31 da Lei nº 10.257/2001 (Estatuto da Cidade) determina que os recursos da outorga onerosa sejam aplicados nas finalidades previstas no art. 26 do mesmo diploma. Em São Paulo, o dinheiro vai para o Fundurb.
A ferramenta calcula pela fórmula padrão de São Paulo. O Estatuto da Cidade, nos arts. 28 a 31, autoriza a outorga onerosa, mas devolve para o Plano Diretor de cada município a tarefa de definir a fórmula, os coeficientes, os fatores e a destinação dos recursos. Cada cidade que adota o instrumento desenha o seu próprio cálculo.
Curitiba calcula pela transferência de potencial construtivo conforme o Setor Especial. Porto Alegre usa o regime do Solo Criado da Lei Complementar 434/1999, com tabelas de regime de atividade e altura. Recife disciplina pela Lei 17.511/2008 com fatores próprios. Belo Horizonte adota outra equação no Plano Diretor de 2019. Adaptar o resultado dessa calculadora para outra cidade exige substituir os fatores, e às vezes a fórmula inteira, pelos da lei municipal vigente.
Em Petrópolis, a outorga onerosa do direito de construir está prevista no Plano Diretor, mas ainda não tem regulamentação infralegal plena que permita aplicação rotineira como em São Paulo. O cálculo abaixo é didático e ilustrativo. Antes de usar qualquer estimativa em viabilidade real, consulte o Plano Diretor do município do projeto e a lei específica que regulamenta a outorga onerosa naquele território.
Fórmula de referência: art. 117 da Lei Municipal nº 16.050/2014 do Município de São Paulo (Plano Diretor Estratégico).