A paisagem organiza o morar
Há lugares em que a qualidade de morar começa muito antes da porta de casa. Começa no caminho, na distância entre as construções, na sombra das árvores e na possibilidade de olhar para longe. Neste estudo de viabilidade no estado do Rio de Janeiro, a Arsenic Arquitetos Associados parte dessas relações para pensar um condomínio residencial de alto padrão com identidade equestre.
O terreno de 1.825.957,60 m² permite trabalhar a implantação na escala da paisagem. As vias desenham percursos entre colinas, os espaços abertos dão continuidade ao verde e as residências se distribuem com amplos intervalos. A proposta aproxima o conforto da vida contemporânea da amplitude e da tranquilidade do campo.
O masterplan articula esse conjunto antes de pensar cada casa isoladamente. Morar, circular, encontrar pessoas e conviver com os cavalos tornam-se partes de uma mesma experiência territorial.

Um haras como ponto de partida
O empreendimento se desenvolve em torno de um haras já consolidado. Essa presença dá ao projeto uma origem concreta: a relação com os cavalos faz parte do lugar e orienta a construção de sua identidade residencial.
Estábulos, piquetes e pistas compõem o núcleo equestre. A arquitetura de menor escala, os telhados cerâmicos e os espaços de transição entre construções e jardins aproximam esse núcleo da atmosfera rural existente. O desenho do conjunto busca valorizar essa continuidade.
A experiência começa também nos momentos discretos: chegar à baia, preparar o cavalo e acompanhar os cuidados antes do passeio. O convívio com os animais oferece uma dimensão cotidiana ao tema equestre, para além da prática esportiva.

A sede, lugar de encontro
A sede existente participa dessa relação entre memória e novos usos. Ela oferece um ponto de referência para imaginar a vida em comum: encontrar vizinhos, acompanhar o movimento do haras e prolongar a conversa depois de uma atividade ao ar livre.
Varandas generosas, sombra e vistas abertas ajudam a construir essa experiência. A convivência acontece na passagem entre o interior e o jardim, em espaços que acolhem tanto uma pausa individual quanto uma mesa compartilhada.
No conjunto, o luxo aparece na qualidade dessas situações: ter tempo para permanecer, espaço para receber e uma paisagem que acompanha os encontros.

Conhecer o lugar a cavalo
Percorrer o condomínio a cavalo muda a percepção das distâncias. O caminho ganha importância, o relevo se revela aos poucos e os espaços entre as casas deixam de ser apenas intervalos. Tornam-se parte do que se vive.
A identidade equestre conecta o núcleo do haras aos campos e à paisagem residencial. Piquetes, caminhos e vegetação ajudam a compor uma sequência de vistas, com espaços mais abertos e trechos de maior recolhimento.
O projeto propõe um cotidiano em que a relação com o campo possa ser próxima: observar os animais, acompanhar a prática equestre ou sair para um passeio tranquilo são formas diferentes de participar do mesmo ambiente.

Caminhos para ficar ao ar livre
A vida em comum também se estende aos percursos de caminhada e às margens da água. O lago, a arborização e os caminhos apresentados no masterplan criam oportunidades de pausa, contemplação e encontro ao longo do dia.
Esses espaços ajudam a conectar o conjunto na escala de quem caminha. A paisagem deixa de ser percebida apenas da janela ou do carro: passa a acompanhar uma conversa, um passeio em família ou uma volta sem pressa.
A proposta de alto padrão se apoia nessa disponibilidade de espaço e de experiências. A casa é uma parte de um território mais amplo, que pode ser vivido de diferentes maneiras.

A paisagem entra em casa
Com terrenos de até 20 mil m², o conceito residencial valoriza a amplitude, a privacidade e a relação de cada moradia com seu entorno. As vistas para os campos e as colinas passam a participar da organização dos ambientes e da experiência de permanecer em casa.
Salas abertas para varandas, planos de vidro e materiais de textura natural expressam possibilidades de morar nesse cenário. A transição entre interior e exterior permite que a vegetação, a luz e o movimento distante dos cavalos acompanhem a rotina.
A sofisticação está tanto no cuidado com o ambiente interno quanto naquilo que se vê a partir dele. Enquadrar a paisagem, criar sombra e oferecer espaços confortáveis de permanência são gestos que aproximam arquitetura e lugar.

Do primeiro olhar à mesa compartilhada
Na suíte, a vista acompanha o despertar. Uma abertura ampla e uma varanda protegida permitem imaginar o início do dia em contato com a luz, as árvores e a paisagem do campo. O interior oferece recolhimento sem perder essa conexão.
Na sala de jantar, a mesma relação ganha um caráter coletivo. A mesa próxima à varanda reúne a família e os convidados, enquanto o horizonte permanece presente. Privacidade e convivência encontram lugar dentro de uma mesma proposta de morar.


Vistas do masterplan

















Ficha do projeto
- Localização
- Estado do Rio de Janeiro
- Ano
- 2025
- Área do terreno
- 1.825.957,60 m²
- Terrenos residenciais
- Até 20 mil m²
- Etapa
- Estudo de viabilidade
- Autoria
- Arsenic Arquitetos Associados
Morar com espaço.
Viver a paisagem.
O masterplan reúne a amplitude do território, a presença do haras e o conforto residencial em uma proposta de vida ligada ao campo.
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